segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Conceito de Comer no Candomblé.

Conceito de comer.


Muito se fala dentro do culto em comer, seja dar de comer ao orixá, dar de comer ao jogo de búzios, aos atabaques, ao Ori e por ai vai, mas qual é exatamente o conceito de comer dentro do santo?

A boca do homem é um espaço culturalmente sagrado e indicado obviamente para receber a comida. Ai se inicia um processo palatável, que é precedido pelo visual, pelo olfativo, formando estéticas próprias para a compreensão dos alimentos. O ata de se alimentar é um ato biológico e também sócio cultural.
A necessidade de comer vem da necessidade de nutrição e sobrevivência, o que não retira significado próprio de cada prato, tipos de ingredientes, locais de preparação e de oferecimento. O ritual de comer sinaliza um dos mais marcantes momentos das diferenças étnicas e profundamente antropológicas.
O conceito de comer é muito amplo, até mesmo comer com os olhos. Comer com os olhos representa o desejo, manifestado por uma voracidade, que antevem a atitude de comer formalmente, com a boca. As sensações do olfato, a emoção e a visão são componente que integram e predispõem a pessoa e seu grupo a interpretar e a se inteirar da comida, para, e, seguida, comê-la.
Assim o corpo inteiro está pronto para comer. Comer fisicamente e comer espiritualmente, comer ritualisticamente. A comida é, antes de tudo, um dos mais importantes marcos de uma cultura, de uma civilização, de um momento histórico, de um momento social, de um momento econômico.
Todos os sentidos são chamados para comer. Todos os códigos visuais, térmicos e olfativos funcionam diante da relação homem / comida. Come-se por inteiro, com o corpo, com a ética, com a moral, com todos os códigos próprios de um grupo e do estatuto social de que o individuo faz parte.
Quem nunca sentiu aquele cheiro de comida que determinada pessoa fazia a anos atras, e por espaço de tempo parece ser arremetido ao passado, arremetido ao local a qual se costumava saborear tal comida, parecendo até mesmo estar na companhia das pessoas que outrora costumavam estar presentes neste local.......  E assim a comida intera-se, se estabelece nas relações mais profundas entre o homem e a cultura.

Dentro do Candomblé a comida ganha dimensão valorativa, sendo entendido o alimento do corpo e também do espirito. Comer, dentro do Ilê Axé, é estabelecer vínculos e processos de comunicação entre homens, orixás, antepassados e a natureza.

A elaboração da uma comida comida dentro da casa de santo não existe acaso. Cada ingrediente, as combinações de ingredientes, os processos do fazer e do servir assumem diferentes significados, obedecendo a coerência com o tipo de nação, liturgias, morfologias particulares dos estilos, do crer e do representar.

As emoções diante de cada comida tem fundamentos, geralmente no conhecimento peculiar de cada prato, sua intenção, seu uso, seu valor particular.

O dendê é sem duvida uma das marcas mais profundas da Africa na mesa Afro-Brasileira. Funciona com uma espécie de síntese de todos os sabores africanos, e lembrados nos terreiros. Se a Africa no geral é assumida no dendê, então comer dendê é comer um pouco da Africa, trazendo-a, assim, para a intimidade de um prato, de um ritual. Reforçando laços e relações simbólicas a partir da gastronomia.

Comer além da boca é uma ampliação do conceito de comer. Tudo está na permanente lembrança e ação de que ''tudo come''. Come o chão, come o ixé, come a porta, come o portão, comem os assentamentos, as arvores comem; comer é contactar e estabelecer vínculos fundamentais com a existência da vida, do axé, dos princípios ancestrais e religiosos do Ilê Axé.

A cabeça é alimentada no bori. Outras partes do corpo são também tocadas pelos minerais dessa obrigação - Aguá, sal, mel, dendê, obi, orobô, sangue, folhas. Assim come e nutre a cabeça, que é parte do corpo, espaço mais sagrado entre os demais que fazem o próprio Ilê Axé.

Comer é acionar o Axé - Energia vital e força fundamentais à vida religiosa e à vida do homem.

Gostou? tem algo a acrescentar? discorda? 
deixe seu comentário.


Fonte de estudo: Livro da editora Pallas, Santo come de Raul Lody

domingo, 29 de novembro de 2015

O Jogo de Buzios

Algumas pessoas não conhecem a função do Jogo de Búzios e nem se quer imaginam que os orixás “falam” conosco através da interpretação feita pelo Babalorisá sobre as caídas dos búzios.


As pessoas tem o costume de realizar simpatias e ebós sem antes consultar o oráculo.
É não existe como avaliar o impacto dos trabalhos realizados, causando muitos problemas a pessoa que realizou o trabalho bem como as envolvidas neste, podemos citar aqui a realização de trabalhos de amarração que são as mais comuns de serem realizadas desta forma.
Simpatias e ebós feito as cegas, sem consulta ao oráculo, o trabalho de cura de doença,  o trabalho para prosperidade financeira, ou qualquer trabalho espiritual  dificilmente apresentará um bom resultado porque as energias estão sendo usadas incorretamente, isso sem contar quando o resultado é ainda pior, ou seja totalmente desfavorável a quem o fez.

Então  devo consultar o Jogo de Búzios antes de realizar um trabalho espiritual?

O caminho para se ter bons resultados com uma simpatia, ebó e ou trabalho espiritual é fazendo uma consulta ao Jogo de Búzios, pois só assim poderá ser informado sobre o tipo de trabalho que deve ser feito e a taxa de sucesso que se pode esperar.
Muitas vezes deparamos com trabalhos que não funcionam, ou demoram muito a surtir efeito, por que para aquele caso foi realizado de maneira incorreta.
Carregos de santo,  trabalhos feitos contra nós são descobertos com facilidade quando se faz a consulta ao Jogo de Búzios que traz também as soluções para cada caso, podendo ser banhos de descarrego e limpezas espirituais, sacodimentos, ebós, etc..
O jogo de buzios nos traz a mensagens dos orixás e apontando os problemas e soluções.
Qualquer pessoa pode fazer uma consulta ao Jogo de Búzios , mas apenas os Babalorixás, Yalorixás, graduados e conceituados dentro de um axépodem fazer a leitura e interpretação correta da caídas dos búzios.
Existem muitos métodos de jogo, o mais comum consiste em um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise dos búzios e configurações que os buzios adotam ao cair sobre ela.
Durante o jogo são feitas perguntas clasicas para saber os orixás que acompanham a pessoa (o consulente). Podemos encontrar assim o orixá de cabeça (eledá) e os orixás que acompanham (ajuntó), além dos odus regentes.


Posteriormente, o consulente pederá realizar perguntas genéricas sobre saúde, trabalho, família, filhos, marido,esposa ou namorado(a). Também são averiguadas questões como trabalhos espirituais feitos contra o consulente e como solucionar os problemas que o jogo de búzios aponta.
consulente pode fazer perguntas específicas ao jogo sobre o assunto que desejar investigar, seja em que setor for, como saúde, amor, trabalho, família, etc.


Quando o consulente tem qualquer problema de ordem espiritual, o Jogo de Búzios sinaliza ao sacerdote qual natureza do problema e quais os melhores trabalhos a serem feitos naquele caso específico.
Os Ebós, trabalhos, banhos, sacudimentos, etc... indicados no Jogo de Búzios devem ser feitos, para que as problemas sejam sanados e não fechem os caminhos do consulente;

Onde consultar-se?

Se você quer consultar sobre diversos assuntos, descobrir os orixás que regem seus caminhos e desvendar suas dúvidas não deixe de contacta-me.
Entre em contato agora mesmo, 
Email: babalotegisun@gmail.com

Duvidas ? deixe seu comentário logo aqui em baixo.
Axé odara.

logun ede

http://babalotegisun.blogspot.com.br/p/orixas.html

Moforibalé

Moforibalé,

é o ato de ''bater cabeça'', ''colocar a cabeça no chão'',  não deve ser um “costume”, mas sim um ato de reverência diante dos Orixás, só prestamos moforibalé para quem confiamos e amamos, pois neste momento estamos nos doando por inteiro, simbolicamente, por meio de um gesto ritualístico.
Mas o que é moforibalé?
A muitos anos diversos rituais adotam o moforibalé como ato de respeito, adoração e devoção p
orém, existe uma diversidade muito grande dentro deste ato podemos encontra rituais variados a cada dia, inclusive o do moforibalé.

Entretanto o que vale é o coração, a intenção, é claro tirando alguns exageros que se tem visto por aí. Independente de verdades absolutas, etc. Vale compreender e respeitar a casa e babalorisá ou Yalorisá que você escolheu.

Prestamos o moforibalé aos orixás, Babalorisás e Yalorisá como sinal de reconhecimento, agradecimento, hierarquia e importância dentro dos rituais. Esta é a hora de pedir ao orixá 
que mantenha nossa mente aberta para o discernimento, para a sabedoria e para a paciência, que mantenha nosso espírito purificado e iluminado.

É um ato importante para quem está saudando e também para quem esta sendo saudado, por que neste momento o sacerdote pede aos orixás que abençoem ao filho e que lhe de proteção e forças
.

já quando se toma a benção é um procedimento de reconhecimento de Grau e de respeito a Hierarquia, pois o Pai (Mãe) Espiritual é a voz, é a força, é o representante e o intermediário dos Orixás aqui no plano material e ele é escolhido e preparado pelas próprias Forças para o sacerdócio.


Em dias “modernos” como os de hoje é difícil ver filhos pedindo benção a seus pais e mães de santo, talvez seja vergonha ou desleixo porem, uma coisa é certa, prestar moforibalé é algo extremamente simbólico e agregador de sentido para nossa religião e nossas vidas, que cada um de nós tenha orgulho deste ato e de pedir a benção para seus sacerdotes e sacerdotisas.
Mesmo que muitos sacerdotes e sacerdotisas que não explicam isso para seus filhos, devem procurar explicação e tem que ter a curiosidade para perguntar, ou seja, o porquê que eu faço isso ou aquilo? Qual seu significado?

tem algo a acrescentar? duvidas? participe, deixe seu comentário.

 

sábado, 28 de novembro de 2015

Dançando para os orixás.

Dançar para os orixás é sem dúvida um dos temas mais polêmicos porém menos discutidos dentro do santo.

Existe sim uma certa linha a ser seguida enquanto se dança para orixás, mas a verdade é que cada casa tem a sua maneira.

Não existe uma receita de bolo pra dançar para os orixás, afinal cada pessoa tem as suas limitações, e o importante é estar ali louvando e celebrando a eles.

Já ouvi muita gente dizer que o orixá de fulano dança bem mas o orixá de Ciclano não. A verdade é que o orixá vai usar o pé de dança do próprio filho, logo se o filho tiver um bom pé de dança o orixá se desenvolverá melhor na dança, caso contrário o desempenho pode não ser tão bom, o que não significa que orixá não saiba dançar, isso só indica que o pé da dança desta pessoa não é tão bom....

Yábassé

As oferendas para as divindades do candomblé em forma de alimento são, sem dúvida, um dos rituais mais importantes numa comunidade de terreiro. Considerando-se que o alimento é uma das principais fontes energéticas para sobrevivência dos seres humanos, e sendo o candomblé o culto à natureza, ao ciclo da vida e ao bem-estar, é possível entender, então, que a iabassê é a detentora de um dos cargos de maior relevância dentro do culto.
O ideal é que a detentora deste cargo numa comunidade de terreiro seja uma senhora acima de 60 anos (portanto, livre do período menstrual). Ela irá gerenciar e executar todas as atividades relacionadas à alimentação na comunidade. Tem que possuir o conhecimento sobre todas as oferendas, a forma de cozimento, temperos, o ponto ideal no preparo para cada divindade, ou seja, toda a magia necessária até alcançar o formato e sabor característico de cada prato. Em alguns axés, a iabassê é primeiro confirmada como equede do orixá responsável pela casa. Depois de algum tempo aprendendo com as próprias divindades através da ialorixá e participando intensamente das atividades da cozinha, ela aguarda até a sua idade senhoril, geralmente após os seus 21 anos de iniciada no axé, para ocupar o cargo de iabassê. Em outras casas de culto, essas mulheres, geralmente filhas de orixás femininos (Oyá, Oxum, Iemanjá), são iniciadas para seus deuses e passam por um grande período de aprendizado, recebendo seus cargos após o mínimo de sete anos de dedicação. Apesar de existirem homens que sabem cozinhar no terreiro, esse cargo é, só e unicamente, ocupado por mulheres.
Normalmente, as mulheres escolhidas são filhas de Oxum ou Oyá, ficando as de Iemanjá como última opção, por causa de seu temperamento difícil. Não é tarefa fácil: é preciso aprender prato por prato e seus respectivos segredos, memorizando-os, e ainda as peculiaridades de todas as divindades. O que usar para temperar os pratos varia um pouco, conforme a casa de culto, porque quem determina o que deve ou não ser usado é o orixá que comanda a energia primordial da casa, as partes a serem servidas e como se deve dividir a comida para as pessoas e para os orixás.
As oferendas no candomblé podem parecer comidas típicas de uma herança cultural ou mesmo folclórica, mas, no cotidiano sacerdotal, nota-se uma diferença considerável no seu tempero, cozimento e modo de falar os nomes. Não se pode inovar usando determinados temperos e condimentos modernos como caldos prontos, conservas e corantes. O ideal é que a comida sagrada seja preparada com panela de barro no fogão a lenha, carvão, ou trempe. Isso determina o sabor e o aroma que agradará aos deuses. Com as modernidades de hoje, os candomblés urbanos e o tempo escasso, algumas coisas se modernizaram, mas o axé e o amor dedicado ao alimento continuam o mesmo. São três os cargos da cozinha: iabassê, a mãe da cozinha e senhora de toda a cozinha; a Iyasinje é a cozinheira; e a Iyajemin é quem armazena e distribui a comida.
A dedicação e respeito que a iabassê deposita em seu ofício de sacerdotisa faz a diferença em muitas casas de axé. O ato que compõe, basicamente, todas as atividades ritualísticas do candomblé está fundamentalmente ligado à doação do alimento em todas as festividades. É o jeito mais simples e solidário de distribuir o denominado axé. A comida deve sempre ser preparada com amor, dedicação e, acima de tudo, responsabilidade.
A mão da iabassê é sagrada. São mãos delicadas e poderosas que preparam o alimento. Mãos que merecem louvores. O respeito e abnegação desta senhora pelas divindades e por quem nelas acreditam é tanta que nos inspira a bondade. Nas casas de culto, do simples chá de ervas ao mais elaborado prato a ser servido, tudo isso faz parte da generosidade dessa yá. Se, para toda a nossa sociedade, o ato de comer é sagrado e insubstituível, para o culto ao orixá é a mais fina expressão da palavra fundamento, pois é no ato de comer que se compartilha o axé dividido pelo orixá, é quando se faz possível sentir toda a energia do alimento.
Ser iabassê vai além do entendimento social de cozinheira. Este cargo perpassa todo um jogo de significados que transforma a vida e o entendimento da escolhida e traduz, nela, o mais alto nível de devoção, amor e fé.

Referências

  1. Ir para cima Dicionário Michaelis: 
  2. Ir para cima Portal Afroxé: 
  3. Ir para cima FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 910

“Kosi ewe, kosi orixá”


Kosi ewe, kosi orixá”

Sem folha não há vida, sem folha não há Orixá, diz a tradição yorubá.

Se candomblé é o culto as forças da natureza, sem natureza não há o que cultuar.
Muito me agrada a questão que está sendo levantada a algum tempo em relação a ecologia no candomblé.

É realmente uma máxima que deve ser respeitada casa vez mais pelo povo de santo, afinal o despacho na natureza deve ser feita apenas por materiais que não iram agredir a natureza, assim estaremos evitando a agressão aos orixás.

Se existe a real necessidade de entregar um ebó na mata por exemplo, que se substitua o alguidar de barro por uma folha de bananeira. Todo orixa, inkise, vodum ira aceitar de bom grado, e no meu ponto de vista fica muito mais agradável aos olhos no quesito apresentação.

Velas e qualquer outro tipo de material utilizado em ritual deveram ser despachados no lixo.

Nesse sentido, compreender o equilíbrio entre a natureza e o candomblé, a divinização do elemento natural, representa um caminho fundamental na compreensão do comportamento ecológico africano antes da consciência ecológica globalizada. Porque no momento em que o ecosistema se findar, em que não existirem árvores, plantas, águas naturais e cristalinas, pássaros de múltiplas cores, deixará de existir o Candomblé. A religião dos escravos anda de braço-dado com a preservação ecológica. Por isso, para o povo do candomblé preservação ecológica deveria ser uma questão de fé. 

E você concorda com isso? 



Tempo



Quatro é o número da Terra; quatro foram os dias que Olorum levou para criar o mundo; a cada dia, Olorum criou quatro Odus – num total de 16; quatro são as estações do ano: verão, inverno, outono e primavera; quatro são os elementais da natureza: fogo, água, terra e ar. Ligado a este numero quatro, está o Orixá Tempo – de origem Angola e Congo – semelhante ao Iroko, da Nação Ketu e a Loko, de Nação Jeje.
Tempo é o senhor das estações do ano; regente das mutações climáticas. Pai da maionga, o banho da Nação Angola.
Tempo está sempre em movimento, entre uma e outra extremidade dos pólos. Ora está em Exu – equilíbrio negativo do  Universo – oras está em Oxalá – equilíbrio positivo do Universo – ora intermediário entre um e outro pólo. Tempo é equilíbrio e desequilíbrio, ao mesmo tempo. Ele é o segundo, o minuto, a hora.
Nas casa de Angola, Tempo é reverenciado com o Pai da Maionga,  do banho, que vai purificar o corpo dos seguidores e iniciados no culto, no momento de maior energia, e vibração deste Inkice (Orixá). Momento, também, de maior purificação, feita através do banho com ervas, água do mar, de cachoeira, de rio, de mina e de chuva, etc.
Tempo está ligado ao meio ambiente, pois qualquer choque ambiental tem a sua regência. Ligado intimamente aos quatros elementais da Natureza, Tempo viaja por todos eles, num movimento constante, alterando infinitamente o  tempo. Sem esse movimento, viveríamos o mesmo segundo sempre, melhor, “sempre” não existiria. Com o tempo parado, não poderia existir vida de nenhuma espécie. A este Orixá, também chamado de Kitêmbo, foi designado e controle do ambiente, a passagem dos segundo, minutos e horas, dando sentindo aos dias, semanas, meses, anos, décadas, séculos e milênios. Ele é o próprio nome: Tempo.
Tempo (Kitêmbo) rege as estações do ano, como já disse. Ele é o responsável pela passagem de um a para outra. Está ligado ao frio, ao calor, à seca, às tempestades, ao ambiente pesado e ao ambiente agradável;
Tempo é o outono: período de mudança das plantas, dos ventos fortes, do clima meio nublado, sem beleza, mas de fundamental importância para o surgimento de um novo ciclo de vida.
Tempo é inverno: período de frio, chuvas permanentes, ambiente gelado e úmido.
Tempo é verão: período de forte calor, de sol escaldante, de seca, de estiagem.
Tempo é primavera: período da beleza das plantas, do nascimento e do desabrochar das flores, do clima agradável, do frio gostoso e do sol morno, sadio; período em que a Natureza é mais colorida e talvez mais bela de ser ver.
Tempo é o passeio por todas essas estações. Ele se encanta na mudança brusca de clima, do popular: “ sol e chuva, casamento de viúva”. Tempo é a mudança radical e a mudança proporcional do clima.
Kitêmbo é a escala do tempo, por isso sua ferramenta é uma escada, em referencia ao crescimento do tempo em nossa volta. É a energia em constante deslocamento nos quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Viaja pelos quatro, constantemente, sem parar. E nem poderia!

Mitologia
Os Angolas e os Congos, que cultuam os antepassados, contam uma historia sobre esse Inkice (Orixá). Relatam que ele era um homem muito agitado, que resolvia varias coisas ao mesmo tempo e que realiza varias tarefas de uma só vez.
Reclamava, entretanto, que o dia era muito pequeno e que não conseguia realizar tudo aquilo que desejava, nos prazos estabelecidos por ele mesmo. Reclamava demais. Cobrava de Zambi (Oxalá nas nações  Angola e Congo) ter nascido lento e incapaz de realizar tudo o que pretendia, mesmo que, na realidade, fosse um homem forte, veloz, astuto e competente. Mesmo assim, não se considerava capacitado para realizar seus objetivos e acusava Zambi de ter feito o dia muito pequeno.
Um dia, Zambi lhe disse:
- Você e muito afoito. Parece que errei em sua criação, pois você não se conforma com o eu feito.
E ele retrucou  a Zambi:
- Não tenho culpa se o Senhor, Pai, fez  o dia tão pequeno. As horas são tão miúdas que não dá tempo para realizar tudo aquilo que planejo!
E Zambi, aborrecido, mas admirado pela coragem do seu filho, determinou então:
- Já que você considera que o tempo é pequeno, passará,então,a controlá-lo e administrando o verão, o inverno, o outono e a primavera. Andará, então, pelo fogo, pela água, pela terra e pelo ar. Não terá, mas problemas de tempo. Será,  então conhecido com Tempo e regerá os movimentos da Natureza.
E, na terra, o povo clama o seu Inkice entoando a cantiga:

“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!
E Tempo para trabalhar...
“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!
E Tempo para comer...
“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!
E Tempo para beber...
“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!
E Tempo para viver...”

Sêquêsê


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Eu quero x eu preciso

Nem sempre o que queremos é o que realmente precisamos.

Sexta feira

Sexta feira , vista o branco..

Quando se usa branco independente do do dia a intenção de qualquer pessoa é pedir paz e agradecer as bênçãos.

Dentro do candomblé , a cor branca pertence aos orixas funfun (Divindades da cor branca), sendo Òsàlá (Oxalá) o mais conhecido Òrìsà funfun.
Chamado de Senhor da criação, tudo de Òsàlá é branco, representando assim a pureza e a ética moral da qual Òsàlá é revestido.

No Candomblé o uso da cor branca além de representar a pureza e resguardar os Omo Òrìsá (filhos dos Orixás) de coisas ruins, é também usada em sinal de respeito à importância hierárquica de Òsàlá.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Santo Errado.

Navegando na net me deparei com a seguinte pergunta:

Sou feita no santo a 4 anos e agora descobri que meu pai de santo me fez errado, fui jogar buzios com outro pai de santo e ele me disse que sou de Oyá e não de Oxum a qual fiz o santo, oque fazer ?


Minha amiga acho que está tudo errado mesmo....
Quanto mais eu rezo mais assombração me aparece. Vamos analisar tudo isso:
Ora se você fez o santo para Oxum a 4 anos, na feitura Oxum respondeu com certeza, durante estes 4 anos Oxum continuou a responder e ai de uma hora para outra você decide ir em um outro local, jogar com uma outra pessoa e que te diz que seu santo esta errado.

Vamos dar um credito a esta loucura, vamos acreditar então que está errado realmente, e ai me surgem algumas perguntas:

  • Se o santo esta errado, quem respondeu na hora de sua feitura, Oxum ou Oyá?
  • Durante todos estes anos você vem cultuando Oxum pra nada, e o pior Oyá que seria então a verdadeira dona do Ori só ficou ali , olhando.
  • Será que Dona Oxum permitiria então uma feitura de uma filha que não é dela?
  • E Oyá, permitiria que sua filha fosse feita para outro orixá?
  • E se caso não tivesse sido o orixá a responder durante estes anos, um belo de um fingimento rolou ai né.
  • Sem contar o fato de ter ido atrás de outro babalorisá para confirmar oque estava sendo feito a 4 anos.
Se o orixá está errado ele não responderia, se responde é por que esta certo.
pode haver ai alguma situação falta de conhecimento para o culto, podemos imaginar uma serie de fatores, agora se concluirmos que é mesmo o santo errado ai podemos concluir que teve o EKE.

A partir do momento que o filho de santo passa a desconfiar dos preceitos de sua casa, passa a desconfiar de seu Pai ou Mãe de santo, gente pega as suas coisinhas faça sua mala e vá embora.
Afinal queremos todos acreditar que o sacerdote ali representado pela Mãe ou pai de santo só realiza realmente os preceito a qual são conhecedores.
Se não concordo com a maneira que é conduzido tal preceito, se não concordo com a maneira que a casa é regida , se começo a discordar das atitudes dos sacerdotes supremos daquela casa, isso indica que devo me retirar.
Vou procurar algo melhor. É bem melhor do que ficar me desgastando com aquilo que não concordo.

E você concorda?

  

terça-feira, 24 de novembro de 2015

ORI BONANZA: THE NEW KID ON THE BLOCK

ORI BONANZA

When I first began learning about Orisa religion the most important lesson I learned was the concept of iwa pele: gentle character.  It’s a concept not unlike the golden rule;golden rule behave in a way that brings honor to your name and treat others in the same regard.  Have integrity.  Be kind.  Show respect.  Speak the truth.  Do good things.  You get the picture.
In the late 90s there were a handful of Orisa-themed Internet forums where iwa pele was often the topic of discussion.  Folks who had access to Odu verses and itans (religious mythology) often shared their knowledge of how the religious corpus supports iwa pele or admonishes iwa buruku (poor character, lack of integrity) to help others understand one of the fundamental facets of Yoruba traditional religion in any of its manifestations.
Intricately connected to an understanding of iwa pele is an understanding of Ori; the subconscious divinity that resides in everyone.  Ori was also heavily discussed, and those with knowledge and experience impressed upon others the importance of taking care of one’s Ori.  Folks with connections to Nigeria shared prayers and oriki they learned for Ori.  Folks with connections to Cuba would share the importance of a rogacion (Bori, feeding the physical and spiritual head).  Most of the discussions of Ori I remember all had to do with being in alignment with one’s destiny and being on the quest to achieve and maintain iwa pele.
Then it happened.  A few people began posting about receiving Ori.  Some Americans had gone to Nigeria for Ifa initiation, and began sharing what they learned about consecrating Ori. Outcry.
“How can you receive something you’re already born with?Igba_Ori_Ioruba_Tradicional_(1)!”
“Invento!,” others responded, “there’s no such thing as receiving Ori.”
Pictures began to surface.
Conversation began to slowly shift from the importance of iwa pele and praising Ori to the validity of receiving an Igba Ori, until not before long we find ourselves in the marketplace where maintaining iwa pele in the capitalist system of supply and demand is a difficult feat.
Then the narrative shifted.  Interestingly, receiving Ori simply became a ceremony that many people didn’t know about.  In fact, people began pointing to their great-grandparents in Orisa who long ago had consecrated an Igba Ori but failed to pass down the ceremony.  Luckily, people were able to travel to Nigeria and Brazil to reclaim the ritual for consecrating Ori before it completely vanished elsewhere in the diaspora. 

oriThe new narrative brought with it a new reality.  Brazilian priests began selling Igba Ori to Americans and Europeans both in the United States and in Brazil.  Some of those Americans, in turn, began selling the pot to others.  Needing to receive Igba Ori began popping up in Lukumi readings for people. Folks paid anywhere between $100-$3,000 to consecrate a set of objects without being taught the fundamentals of iwa pele. People, initiated and uninitiated alike, became consumers of a product without understanding its basic function within Candomblé.  In the United States, the Bori ceremony had become, in many ways, the new kid on the Orisa block.
Some observations:
  1. “Bori” is not synonymous with consecrating an Igba Ori.  There are many variations of this ceremony, many of which are very similar to a Lukumi rogation.  Not every Bori culminates in consecrating a pot, nor should it.
  2. No two heads are alike.  Each human being is unique with their own mission on earth and destiny to fulfill.  Thus, no two Bori ceremonies are alike.
  3. It is extremely rare that a person who is not initiated would have an Igba Ori consecrated.  Equally rare is the consecration of an Igba Ori outside of the ritual of initiation.
  4. Igba Ori is not even consecrated in all nations/lineages of Candomblé, so it’s interesting that it’s becoming a blanket ceremony in the U.S after direct contact with a specific nation of Candomblé.
The marketplace is busy.  New books about Ori are in stores, lectures about Ori and Bori are selling out from sea to shining sea, and somewhere someone is being convinced that they need to undergo a transplanted ceremony.  Where has the emphasis on iwa 
pele gone?

Fonte:https://candombleusa.wordpress.com

If you are an American Candomblecista and would like to contribute to the blog by sharing their experiences in a post of your own, feel free to contact me : babalotegisun@gmail.com

Casa Poderosa Dos Filhos de Yemanjá: Crime e preconceito: mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos

Casa Poderosa Dos Filhos de Yemanjá: Crime e preconceito: mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos

EWÁ




Ewá é a divindade do canto, das coisas alegres e vivas. Dona de raro encanto e beleza, é considerada como a Rainha das mutações, das transformações orgânicas e inorgânicas. É o Orixá que transforma a água de seu estado liquido para o gasoso, gerando nuvens e chuvas.

Quando olhamos para o céu e vemos as nuvens formando, às vezes, figuras de animais, de pessoas ou objetos, não nos importamos muito. Porém, ali está Ewá, Rainha da beleza, evoluindo solta pelos céus, encantando e desenhando por cima do azul celeste da atmosfera da Terá. Ewá é também o inicio da chuva, regida por sua mãe Nanã. Este seu principal encantamento: o ciclo interminável de transformação da água em seus diversos estado, incluindo o sólido. Ela, como todos os outros, está entre nos no cotidiano, convivendo e influenciando nosso comportamento, mexendo com nosso destino, gerando situações que vamos viver diariamente.
Ewá também esta ligada às transformações orgânicas e inorgânicas, que se sucedem no Planeta. É a mágica da transformação. Está ligada à mutação dos animais e vegetais. Ela é o desabrochar de um botão de rosa; é a lagarta que se transforma em borboleta; é a água que vira gelo e o gelo que vira água; faz e desfaz, num verdadeiro balé da Natureza.
Senhora do belo, Ewá é aquela que vai dar cor ao seres; torná-los bonitos, vivos, estimulando a sensibilidade; a fragilidade das coisas; a transformação das células, gerando o que há de mais lindo no mundo. É a deusa da beleza; é o sentimento de prazer pelo que é belo,; é o respeito pela maravilha que o mundo apresenta.
A força natural Ewá é ligada também à alegria, dividindo com Vungi (Ibeji) a regência daquilo que se chama ou se tem como feliz. Está presente nas coisas e nos momentos alegres, que têm vida.
É também a divindade do canto; da música; dos sons da natureza, que enchem nossos ouvidos de alegria e contentamento. Está presente no canto dos pássaros; no correr dos rios; no barulho das folhas, sopradas ao vento; na queda da chuva; no assovio dos ventos; na música interpretada por uma criança, no choro do bebê, no canto mais que sagrado da mãe Natureza.
Ewá é a própria beleza. É o som que encanta. É o canto da alegria. É a transformação do mal para o bom. É a vida


Qualidades:

Ewá Gebeuyin: A primeira a surgir. Veste vermelho e amarelo claro. Come com Omolu, Oyá e Oxum. Nas tempestades ela pode se transformar numa serpente azulada.
Ewá Gyran: É a deusa dos raios do sol. Controla os raios solares para que eles não destruam a terra. É a formação do arco-íris duplo que aparece em torno do sol. Metade é Ewá e a outra é Bessem. Platina, rubi, ouro e bronze vão em seu assentamento. Come com Omolu, Oxum e Oxossi.
Ewá Awò –  A Senhora dos mistérios do jogo de búzios. Divindade pouco cultuada na Brasil, tem enredo com Oyá, Oxóssi e Ossaiyn.
Ewá Bamio-  A Senhora das pedras preciosas, ligada a Ossaiyn.
Ewá Fagemy– A Senhora dos rios encantados, Ela é quem tem o poder de fazer surgir o arco íris e tem por obrigação sustentá-lo no céu. Ligada a Airá, Oxun e Oxalá.
Ewá Salamim– A Senhora guerreira, jovem, habitante das florestas, muito feminina e charmosa, ligada a Odé e Yemanjá.

Oya - A Ascensão dos Orixás (LEGENDADO)



Elenco de Oya - A Ascensão do Orixá

Os deuses africanos da religião Santeria foram quase esquecidos pela humanidade, que está indo para a auto destruição. Somente a deusa orixá Oya da mudança ainda está conectada ao Adesuwa, seu devoto dedicado. Agora, uma fanática torcida com uma ideia distorcida de Orixás quer provocar a queda da raça humana. 
Adesuwa deve encontrar 'a chave', uma jovem com potencial para abrir a porta entre a humanidade e Orixá. É dever de Adesuwa encontrá-la e mantê-la segura. Ela deve atingir profundamente sua ligação com Oya para detê-los. A jornada apenas começou e o Super Orixá irá surgir!

O curta metragem mais esperado pelo povo do candomblé. Confesso que ficou um gostinho de ''quero mais'', existem boatos que ainda serão feitas continuações, mas também no formato curta metragem.

O vídeo que até então era difícil de se achar e quando era achado não contava com traduções, agora ganhou um novo formato dentro deste blogger.

Foi um dia inteiro trabalhando em cima do vídeo, traduzindo, arrumando todos os detalhes para que vocês pudessem desfrutar destes 12 minutinhos de pura magia com exclusividade.

Aproveitem e não esqueçam de comentar.






segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Exu

EXU ELEGBARÁ (ÈSÙ ou ELEGBÁRA) 



Èsù na África 
Exu é um orixá ou um ebora de múltiplos e contraditórios aspectos, o que torna difícil defini-lo de maneira coerente. De caráter irascível, ele gosta de suscitar dissensões e disputas, de provocar acidentes e calamidades públicas e privadas. É astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente, a tal ponto que os primeiros missionários, assustados com essas características, compram-no ao diabo, dele fazendo o símbolo de tudo o que é maldade, perversidade, abjeção, ódio, em oposição à bondade, à pureza, à elevação e ao amor de Deus. 
Entretanto, exu possui o seu lado bom e, se ele é tratado com consideração, reage favoravelmente, mostrando-se serviçal e prestativo. Se, pelo contrário, as pessoas se esquecerem de lhe oferecerem sacrifícios e oferendas, podem esperar todas as catástrofes Exu revela-se, talvez, dessa maneira o mais humano dos orixás, nem completamente mau, nem completamente bom. 
Ele tem as qualidades dos seus defeitos, pois é dinâmico e jovial, constituindo-se, assim, um orixá protetor, havendo mesmo pessoas na África que usam orgulhosamente nomes como Èsùbíyìí (concebido por Exu), ou (Exu merece ser adorado). 
Como personagem histórica, Exu teria sido um dos companheiros de Odùduà, quando da sua chegada a Ifé, e chamava-se Èsù Obasin. Tornou-se, mais tarde, um dos assistentes de Orunmilá, que preside a adivinhação pelo sistema de Ifá. Segundo Epega, Exu tornou-se rei Kêto sob o nome de Èsù Alákétu. 
É Exu que supervisiona as atividades do mercado do rei em cada cidade: o de Oyó é chamado Èsù Akesan. 
Como orixá, diz-se que ele veio ao mundo com um porrete, chamado ogò, que teria a propriedade de transporta-lo, em algumas horas, a centenas de quilômetros e de atrair, por um poder magnético, objetos situados a distâncias igualmente grandes. 
Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. É também ele que serve de intermediário entre os homens e os deuses. Por essa razão é que nada se faz sem ele e sem que oferendas lhe sejam feitas, antes e qualquer outro orixá, para neutralizar suas tendências a provocar mal-entendidos entre os seres humanos e em suas relações com os deuses e, até mesmo, dos deuses entre si.
Exu teve numerosas brigas com os outros orixás, nem sempre saindo vencedor. Certas lendas nos contam seus sucessos e seus reveses nas suas relações com Oxalá, ao qual fez passar alguns maus momentos, em vingança por não haver recebido certas oferendas, quando Oxalá foi enviado por Olodumaré, o deus supremo, para criar o mundo. Exu provocou-lhe uma sede tão intensa que Oxalá bebeu vinho de palma em excesso, com conseqüências desastrosas, como veremos. Teremos oportunidade, também, de ver como exu foi responsável pelos transtornos de que o mesmo Oxalá foi objeto quando certa vez foi visitar Xangô. 
Por outro lado, em lendas publicadas numa outra obra, narra-se que houve uma disputa entre Exu e o Grande Orixá, para saber qual dos dois era o mais antigo e, em conseqüência, o mais respeitável. Oxalá provou sua superioridade durante um combate cheio de peripécias, ao fim do qual ele apoderou-se da cabacinha que encerra o poder de Exu e Obaluaê, foi este último que saiu igualmente vencedor. 
O lado malfazejo de Exu é evidenciado nas seguintes histórias: 
Uma delas, bastante conhecida e da qual existem numerosas variações, conta como ele semeou discórdia entre dois amigos que estavam trabalhando em campos vizinhos. Ele colocou um boné vermelho e um lado e branco do outro e passou ao longo de um caminho que separava os dois campos. Ao fim de alguns instantes, um dos amigos fez alusão a um homem de boné vermelho; o outro retrucou que o boné era branco e o primeiro voltou a insistir, mantendo a sua afirmação; o segundo permaneceu firme na retificação. Como ambos eram de boa fé, apegavam-se a seus pontos de vista, sustentando-os com ardor e, logo depois, com cólera. Acabaram lutando corpo a corpo e mataram-se um ao outro. 
Uma outra lenda mostra Exu mais maquiavélico ainda. Ele foi procurar uma rainha abandonada já há algum tempo por seu marido e lhe disse: "Traga-me alguns fios da barba do rei e corte-os com esta faca. Eu lhe farei um amuleto que lhe trará de volta o seu marido". Em seguida, Exu foi à casa do filho da rainha, que era o príncipe herdeiro.Este vivia numa residência situada fora dos limites do palácio do rei. O costume assim o determinava, a fim de prevenir toda tentativa de assassinato de um soberano por um príncipe impaciente por subir ao trono. "O rei vai partir para guerra", disse-lhe ele, e pede o seu comparecimento esta noite ao palácio, acompanhada de seus guerreiros. Finalmente, Exu foi ao rei e disse-lhe: A rainha, magoada pela sua frieza, deseja mata-lo para se vingar. Cuidado, esta noite. E a noite veio. O rei deitou-se, fingiu dormir e viu, logo depois, a rainha aproximar um afaça de sua garganta. O que ela queria era cortar um fio da barba do rei, mas ele julgou que ela desejava assassiná-lo. O rei desarmou-a e ambos lutaram, fazendo grande algazarra. O príncipe, que chegava ao palácio com seus guerreiros, escutou grito nos aposentos do rei e correu para lá. Vendo o rei com a uma faca na mão, o príncipe pensou que ele queria matar sua mãe. Por seu lado, o rei, ao ver o filho penetrar nos seus aposentos, no meio da noite, armado e seguido por seus guerreiros, acreditou que eles desejavam assassina-lo. Gritou por socorro. A sua guarda acudiu e houve então uma grande luta, seguida de massacre generalizado. 
Uma história mais simples mostra a atividade de Exu na vida cotidiana: uma mulher se encontra no mercado vendendo os seus produtos. Exu põe fogo na sua casa, ela corre para lá, abandonando seu negócio. A mulher chega tarde, a casa está queimada e, durante esse tempo, um ladrão levou as suas mercadorias. 
Nada disso teria acontecido – nem os amigos teriam brigado, nem o rei e o príncipe teriam se massacrado, nem a vendedora teria se arruinado – se tivessem feito a Exu as oferendas e os sacrifícios usuais. 
O lugar consagrado a Exu entre os iorubás é constituído de um pedaço de pedra porosa, chamada Yangi, ou por um montículo de terra grosseiramente modelado na forma humana, com olhos, nariz e boca assinalados com búzios, ou então ele é representado por uma estátua, enfeitada com fieiras de búzios, tendo em suas mãos pequenas cabaças (àdó), contendo os pós por ele utilizados em seus trabalhos. Seus cabelos são presos numa longa trança, que cai para trás e forma, em cima, uma crista para esconder a lâmina de faca que lê tem no alto do crânio. Isso, por sinal, é dito em uma de suas saudações: 

Sinso abè kò lóri e 


A lâmina (sobre a cabeça) é afiada, ele não tem (pois) cabeça para carregar fardos".

A Exu são oferecidos bodes e galos, pretos de preferência, e prato cozidos em azeite-de-dendê (epo), porém nunca se lhe deve oferecer o óleo branco (adi), que é extraído das amêndoas contidas nos caroços do dendê. Este àdí tem a reputação de ser "cheio de violência e de cólera". Dizem que uma boa maneira de se vingar de um inimigo consiste em derramar sobre a estátua de Exu esse óleo, fervendo de preferência, declarando em voz alta que essa oferenda é feita pela pessoa desprezada. Exu não deixaria então de lhe pregar uma peça! 
Os elégùn de Exu participam das cerimônias celebradas para os outros orixás.Alguns acompanham Xangô e traz nas costas uma tralha curiosa, onde se encontram, em desordem, duas ou três estatuetas de Exu, fieiras de búzios, pentes, espelhos e as indispensáveis cabacinhas àdó, contendo os elementos de seu poder. Outros, chamados olúpòna, participam das cerimônias que se realizam a cada quatro dias, para Ogum, na região de Holi. No decorrer de suas danças, trazem sempre na mão um ògo, bastão de forma fálica. 
Exu pode fazer coisas extraordinárias que se exprime nos seus oríkí, os louvores tradicionais: 
"Exu faz o erro virar acerto e o acerto virar erro". 
"É numa peneira que ele transporta o azeite que compra no mercado; e o azeite não escorre dessa estranha vasilha". 
"Ele matou um pássaro ontem, com uma pedra que somente hoje atirou. Se ele se zanga, pisa nessa pedra e ela põe-se a sangrar".
"Aborrecido, ele senta-se na pele de uma formiga".
"Sentado, sua cabeça bate no teto; de pé, não atinge nem mesmo a altura do fogareiro.
 
Légba 
Entre os fon do ex-Daomé, Èsù-Elégbára tem o nome de Légba. Ele é representado por um montículo de terra em forma de homem acocorado, ornado com um falo de tamanho respeitável. Esse detalhe deu motivo a observações escandalizadas, ou divertidas, de numerosos viajantes antigos e fizeram-no passar, erradamente, pelo deus da fornicação. Esse falo ereto nada mais é do que a afirmação de seu caráter truculento, atrevido e sem-vergonha e de seu desejo de chocar o decoro. 
Os Légba, guardiões dos templos de Hevioso, vodun do trovão, e de sapata, vodun equivalente a Sànpònná dos iorubás, manifestam-se através de légbasi, equivalentes a Olúpòna, durante as cerimônias celebradas para esse vodun. Os légbasi vestem-se com uma saia de ráfia tinturada de roxo e usam a tiracolo inúmeros colares de búzios. Debaixo da sua saia traz, disfarçado, um volumoso falo de madeira que levantam, de vez em quando, com mímicas eróticas. Além disso, têm na mão uma espécie de espanta-moscas, Roxo, semelhante a um espanador, no qual está escondido um bastão em forma de falo, que eles agitam, de maneira engraçada, na cara das pessoas presentes, particularmente sob o nariz dos turistas, pois os légbasi não deixam de observar seus sentimentos ambivalente diante dessas exibições. 
 
Exu no Novo Mundo 

No Brasil, como em Cuba, Exu foi sincretizado com o Diabo. Não inspira, porém, grande terror, pois sabe-se que, quando tratado convenientemente, ele trabalha para o bem, quer dizer, pode ser enviado para fazer mal às pessoas más ou àquelas que nos prejudicam ou, ainda, àquelas que nos causam ressentimentos. 
Chamam-no, familiarmente, o "Compadre" ou o "Homem das Encruzilhadas", pois é nesses lugares que se depositam, de preferência, as oferendas que lhe são destinadas. 
Poucas pessoas lhe são abertamente consagradas em razão desse suposto sincretismo com o Diabo. A tendência, logo que ele se manifesta, é de acalma-lo, de fixa-lo, oferecendo-lhe sacrifícios e procedendo à iniciação da pessoa interessada em proveito de seu irmão Ogum, com o qual Exu divide um caráter violento e arrebatado. 
O lugar consagrado a Exu é, geralmente, ao ar livre ou no interior de uma pequena choupana isolada ou, ainda, atrás da porta da casa. É simbolizado por um tridente de ferro, plantado sobre um montículo de terra e, algumas vezes, por uma imagem, igualmente de ferro, representando o Diabo Brandindo o tridente. 
A segunda-feira é o dia da semana consagrado a ele. As pessoas que procuram a sua proteção usam colares de contas pretas e vermelhas. As oferendas, de animais e comida, como na áfrica, são-lhe apresentadas antes das dos outros orixás. 
Diz-se na Bahia que existem vinte e um Exus, segundo uns, e apenas sete, segundo outros. Alguns dos seus nomes podem passar por apelidos, outros parecem ser letras dos cânticos ou fórmulas de louvores. Eis alguns: Exu-Elegbá ou Exu-Elegbará e seus possíveis derivados: Exu-Bará ou Exu- Ibará, Exu-Alaketo, Exu-Laalu, Exu-Jeto, Exu-Akessan, Exu-Loná, Exu-Agbô, Exu-Larôye, Exu- Inan, Exu-Odora, Exu-Tiriri. 
Assinalamos anteriormente que, antes de realizar o xirê dos orixás, faz-se, na Bahia, o padê, palavra que, como vimos, significa em iorubá encontro ou reunião, durante a qual Exu é chamado, saudado, cumprimentado e enviado ao além com uma dupla intenção: convocar os outros deuses para a festa e, ao mesmo tempo, afasta-lo para que não perturbe a boa ordem da cerimônia com um dos seus golpes de mau gosto. 

Arquétipo 

O arquétipo de Exu é muito comum em nossa sociedade, onde proliferam pessoas com caráter ambivalente, ao mesmo tempo boas e más, porém com inclinação para a maldade, o desatino, a obscenidade, a depravação e a corrupção. Pessoas que têm a arte de inspirar confiança e dela abusar, mas que apresentam, em contrapartida, a faculdade de inteligente compreensão dos problemas dos outros e a de dar ponderados conselhos, com tanto mais zelo quanto maior a recompensa esperada. As cogitações intelectuais enganadoras e as intrigas políticas lhes convêm particularmente e são, para elas, garantias de sucesso na vida.


 Esse texto foi retirado do livro "Orixás" de Pierre Fatumbi Verge



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