domingo, 20 de dezembro de 2015

Ser Bruxa é...

Mais informações sobre a autora do texto acesse: https://www.facebook.com/holisticoseoraculos 


Ser Bruxa

é amar a vida em todas as suas manifestações e aspectos, é ser livre para ser não o que os outros propõem, mas o que ela se propõe.

     Ser Bruxa é ousar, traçar caminhos novos, criar e fazer sua vontade sem prejudicar a nada nem a ninguém, é ser fértil como só seu corpo feminino pode ser. 
     Ser Bruxa é despertar para o mundo e ter a coragem de erguer seus olhos para enxergá-lo sem culpa ou desculpa. É um caminho longo, difícil, corajoso e gratificante, porém... um caminho sem volta. 
     Ser bruxa é mais que estudo, é um estado de alma. Uma bruxa já nasce bruxa, apenas não sabe, não se lembra da época em que ainda não havia a separação.

     Quando você puder, sem medo, caminhar com os pés nus em uma floresta, olhar as árvores, as flores e sentir os ciclos da natureza em seu corpo... Você é uma Bruxa!     
       Quando você entrar confiante no mar, nos rios, nas cachoeiras, ficar sob a chuva e sentir em seu sangue o movimento das águas...
       Você é uma Bruxa!
  
      Quando você olhar para a vela, o fogo, as brasas, a fogueira e sentir que seu espírito dança com as labaredas...
      Você é uma Bruxa! 

      Quando você olhar para o céu, respirar fundo, sentir o vento no rosto e sentir-se livre para voar com ele...
      Você é uma Bruxa! 

      Quando você puder, em sua mente, andar como um gato, nadar como um golfinho, rastejar como serpente, voar como gavião, sorrir como um ser humano e compactuar com a Lua...
      Você é uma Bruxa!

      Quando você sentir que a Natureza é você e você é o Universo...
      Você é uma Bruxa!

      Ser Bruxa significa, antes de qualquer coisa, saber lidar e respeitar as Leis da Natureza. 
     A Bruxa respeita e conhece a Natureza. Porque a conhece, a ama. Porque a ama, cuida. Porque cuida, cura.
 
      Este é o nosso trabalho, o trabalho da Bruxa. Curar a Natureza com amor, o mesmo amor e respeito que, antes de tudo, para sermos bruxas, devemos dispensar a nós mesmas. 

A bruxa lida com o natural, com as forças da natureza em seu modo mais amplo. A lua é nossa conselheira. É através dela que temos contato íntimo com nossos ciclos, com nossas profundezas, com nossas emoções. É com a força dela que trabalhamos, em todos os aspectos de luz e sombras.

Uma bruxa não é aquele estereótipo que aprendemos nos quadrinhos, de nariz pontudo e verruga. Yabás são bruxas, pombagiras são bruxas. Todas, sem exceção, trabalham com as forças da natureza, e esta particularidade já lhes faz bruxas.


O que falar então de caboclas, pretas velhas!?!? Todas bruxas! Guiadas pela lua, utilizadoras das águas, das ervas, do fogo, que curam e acolhem.

A bruxaria não tem cor, não é branca, nem negra. A bruxaria é o que precisa ser, cada caso é um caso. Benzedeiras, o que são? Bruxas! Mas elas rezam! Siiiim, elas rezam! E quem disse que uma oração não é uma bruxaria?

A bruxaria mora nos 4 verbos: saber, querer, ousar e calar.

Eu só sei, se me conecto. É preciso disponibilidade de se abrir para o que nos cerca, sem medos e pudores.

Se eu quero, eu faço. Sou dona do meu destino, e o moldo da melhor maneira, com minhas atitudes. E claro, com uma forcinha mágica, afinal... somos bruxas!

Se eu faço, eu ouso. Ouso desafiar o senso comum, ouso desafiar o estado letárgico que nos impõem durante a vida, no afã de fazer diferente. Para nós, não existe “e se...”


Me calo. Porque como dizem as ciganas (sim, bruxas também!) a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro! É no ventre quieto e escuro que a vida nasce e se desenvolve. Pra que entrar em embates desnecessários, seja neste mundo ou no outro, contra toda a energia ruim que nos cerca? Mais vale a tranquilidade da quietude, do que dissipar energia que poderia ter fins mais proveitosos...
Maya Manson.


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

As Iyami Oxorongá

O Poder ancestral feminino
e elementos místicos da mulher em seu duplo aspecto: protetor e generoso, perigoso e destrutivo estão representando As Iyami Oxorongá. Todos os orixás femininos são detentores deste poder.


As Iyami são as guardiãs do destino e zeladoras da existência, por isso sua boa vontade, essencial à continuidade da vida e da sociedade, deve ser cultivada. Pertencem a um grupo de seres espirituais chamados Ajogùn, cujas funções incluem carregar o ebó para alimentar-se dele ou, mais precisamente, do sofrimento humano do qual está impregnado. Ao processarem as energias dos ebós, possibilitam a cura, a superação de dificuldades e a atração de bens necessários. Sua relação com os poderes mágicos lhes possibilita também neutralizar os efeitos negativos de pensamentos, palavras e ações destrutivas que uma pessoa dirija contra outra ou contra si mesma. A presença e a influência de Iyami no jogo oracular é fundamental, pois se manifestam em todos os odus e, sendo parceiras deles, têm como ajudá-los a comunicar-se entre si. Parceiras também de Exu e dos demais orixás, indicam com eles os ebós necessários para cada situação, sendo de competência comum a todos a tarefa de transportá-los.


A expressão Ìyámi, Minha(s) Mãe(s) ou Zeladora(s), designa um orixá cujo poder é tão grande que todos se referem a elas sempre no plural, aludindo a uma coletividade. Quando se quer saudá-las basta pronunciar um de seus nomes, pois elas representam uma coletividade de seres relacionados a todos os elementos fundamentais para a sobrevivência dos homens: por isso traí-las significa trair a própria essência vital humana. Invocar as Mães implica em associar-se a uma coletividade de energias que vivem em estreita relação com elementos indispensáveis à sobrevivência humana.


As Iyami, curandeiras com grande poder mágico, podem assumir diferentes formas. Intervêm na existência humana no plano individual (na saúde física, psíquica e espiritual, no casamento e na sexualidade) e no plano social (no trabalho e nas amizades). Elas apoiam as pessoas em sua tarefa de organizar pensamentos e conhecimentos para melhor atingir objetivos, atraindo sorte e favorecendo conquistas materiais. Promovem mudanças no plano emocional, facilitando que um homem nervoso se acalme e um impaciente torne-se paciente. Intervindo nos destinos, protegem as pessoas de danos causados por inimigos e por falhas próprias. Como harmonizam relações, favorecem casamentos. Sendo portadoras de axé, favorecem a aquisição e a manutenção da energia vital; protetoras e zeladoras de tal energia, orientam as pessoas quanto à melhor maneira de realizar seu destino.


No aiye as Iyami trabalham para colocar ordem no conhecimento e na sabedoria dos seres, e transmitem isso ao orum através de assentamentos já consagrados a elas, de iniciações e da realização de constantes oferendas e ebós. A partir do momento em que se estabelece uma ligação com Iyami, adquire-se melhores condições para atingir objetivos e concretizar ideais.


As mulheres pertencentes ao grupo de devotos das Iyami são chamadas Ìyá-Agbà ou Ìya Aiyé (Mães do Universo, Mães Anciãs ou Veneráveis Mães Anciãs); os homens são chamados de Òsó (Bruxo, Feiticeiro acredite homens também podem ser bruxos). Ambos ficam atribuídos do poder de manipular o destino humano através de rituais de consagração. A aquisição do poder das Iyami ocorre pelo nascimento, por herança e pela iniciação. Esta última pode proporcionar a proteção delas para o iniciado e seus familiares e amigos mais próximos e pode, num grau mais elevado, permitir a transmutação física, embora exclusivamente no caso de mulheres. Diz o provérbio que o filho de Iyami tem dois ouvidos, dois olhos e uma única boca, para ouvir e ver bem mais do que falar. Falar sobre as Mães inspira a sensação de poder e sabedoria, muitas vezes equivocada, porque um devoto que não saiba proteger e preservar a força e os segredos confiados a ele será vencido facilmente. Falar sobre elas é uma tarefa desafiadora porque exige cumplicidade entre quem fala e quem ouve e uma responsabilidade rara das pessoas em relação ao uso que fazem das palavras. Por isso, durante a iniciação, as pessoas se comunicam o mínimo necessário.


Os iniciados em Iyami possuem as marcas simbólicas das Mães em seu corpo e podem sentí-las até mesmo fisicamente. Essas marcas indicam sinais de nobreza. Os devotos das Mães muitas vezes acabam se tornando líderes. Deles exige-se postura séria e rigorosa e uma auto-educação para que não fiquem mencionando o poder delas. Pessoas indiscretas ou que se considerem poderosas não devem cultuá-las, pois sua postura afasta o poder das Mães. Tolerância e paciência, qualidades do sábio, são os principais meios de se venerar Iyami e aos demais orixás. O devoto das Mães deve ser verdadeiro, leal, fiel e respeitoso para criar espaços onde elas possam viver e atuar. As Iyami têm o poder de tornar o tempo favorável ou desfavorável, podendo provocar morte prematura ou prolongar a vida: a capacidade de trabalhar com seus poderes para atuar sobre a duração da existência, entretanto, é privilégio de poucos sacerdotes.


Os iniciados em Iyami pelo Oduduwa Templo dos Orixás reunem-se periodicamente para manter e fiscalizar o culto aos orixás, zelar pela casa e tratar de assuntos relevantes para a comunidade que frequenta a instituição. Um dos eventos coletivos mais importantes do templo é o Festival de Iyami, que ocorre anualmente.




Bruxa e pássaro.

A palavra Ìyàmìs por si só, em realidade não identifica à mulher com o lado escuro de seu poder, como uma bruxa,  muito pelo contrário é um modo de exaltar e homenagear sua capacidade de engendrar apelando a seu lado protetor maternal, pois significa: Minha mãe!!!
Esta forma de referir-se a qualquer mulher expressa um sentido de reverência àquela que serve de ponte entre os antepassados e os vivos, bem como também reflete seu importante papel maternal.
Desse modo todas as divindades femininas são chamadas também ìyàmìs, mais não no sentido de bruxas, senão por tratar-se de uma homenagem verbal às grandes mães espirituais.


A coruja é um de seus pássaros.
A pena da coruja é utilizada em ritos das Ìyàmì, na finalidade de obter proteção contra os perversos espíritos da noite, ameaças e inveja.
É este pássaro quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos tetos das casas, nos galhos das árvores, e é silencioso.
Se as Ìyàmìs dizem que é pra matar, eles matam, se elas dizem pra levarem os intestinos de alguém, levarão.
Elas enviam pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga, levam embora os olhos e os pulmões das pessoas, dão dores de cabeça e febre, não deixam que as mulheres engravidem e não deixam as grávidas darem à luz.
As Ìyàmìs costumam se reunir e beber juntas o sangue de suas vítimas.
E só Orunmilá Consegue acalmá-la.
O Culto dos Eguns no Candomblé do sexo feminino recebem o nome de Ìyàmìs Agbá, minha mãe anciã, mas não são cultuados individualmente.
Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyàmìs Oxorongá chamada também deÌyá Niá, a grande mãe.
Esta imensa massa energética que representa o poder da ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas sociedades Gëlèdé, compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder.

O medo da ira de Ìyàmìs nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.
O mito da bruxa que voa na vassoura acompanhada por pássaros macabros é quase mundial, com pequenas diferenças dependendo da cultura e folclore local.
As Ìyàmìs são executoras da lei num sentido inverso, isto é, procurar o bem a partir do mau.
Toda pessoa que tenha certa inclinação às características negativas para os demais está alimentando estas forças e com isso fortalecendo Ìyàmìs que a seu tempo a própria energia negativa da pessoa se converta em seu próprio juiz.
Ìyàmì Oxorongá  posará suas patas em cima de sua cabeça.
Não há nenhum ebó capaz de vencer o trabalho destas entidades, o que se pode no máximo é apaziguar-lhes .
Sua função se torna importante, pois tendem a regular o comportamento do ser humano através de seus medos.
Quem deseja que Ìyàmìs Oxorongá não se torne um obstáculo em sua vida deve frear os sentimentos de inveja, ciúmes, rancor, bem como qualquer pensamento negativo para seus semelhantes.
Fundem-se a ideia que as Ìyàmìs se reúnem em assembleia, onde se conspiraria e especularia sobre as maldades a realizar enviando os Ajogun após o questionamento se foi feito ou não os ebós marcados por babalaos através de Ifá, deste modo servem de reguladores do comportamento frente às dívidas geradas ante as divindades, por causa de ter rompido o equilíbrio existente de alguma maneira seja numa vida anterior ou na presente.

Ìyàmì Aye pertence todo sangue derramado na terra e também quem controla o sangue menstrual a que quando aparece revela a presença próxima destas criaturas, o que explicaria as dores típicas e o que costuma ter as mulheres nessa etapa.
 Presume-se que a palavra Aje utilizada como bruxa prove da contração de Iya +Je, a mãe que come, aludindo a seu voraz apetite, sempre atraída pelo cheiro do sangue e vísceras.
Ela pode vir sob a forma de mosca, pássaro, gracioso ou inclusive outros animais.
Em síntese, todo ser humano deve a vida a uma mulher. Se todas as mulheres juntas decidissem não mais engravidar, a humanidade estaria fadada a desaparecer.
Esse é o poder de Iyá Mi, mostrar que todas as mulheres juntas decidem sobre o destino dos homens.




As denominações de Ìyàmì expressam suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão seus nomes nunca devem ser pronunciados.
Quando se disser um de seus nomes, todos devem fazer reverencias especial para aplacar a ira das grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.
As feiticeiras mais temidas entre os yorubás e nos candomblés do Brasil são as Àjé e, para referir-se à elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro.

O aspecto mais aterrador das Ìyàmìs e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é Oxorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro de mesmo nome e rompe a escuridão da noite com seu grito assustador.
As Ìyàmìs são as senhoras da vida, mas fundamental da vida é a morte.
Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas em seu aspecto benfazejo.
Não podem, porém, ser esquecidas, nesse caso lançam todo tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte.
O lado bom de Ìyàmìs é expresso em divindades de grande fundamento, como Apàöká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Odé .
 Dizem que o deus caçador encontrou mel aos pés da jaqueira e em torno dessa árvore formou-se a cidade de Kêtu.
Os assentamentos de Ìyàmìs ficam juntos as grandes árvores como a jaqueira e geralmente são enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida representação do ventre.
As Ìyàmìs, juntamente com Exú e os Eguns são evocados nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem à vida, integrarão o corpo das Ìyàmìs, que são as mulheres ancestrais.

À meia-noite ninguém deve estar na rua, principalmente em encruzilhada, mas se isso acontecer deve-se entrar em algum lugar e esperar passar os primeiros minutos. Também o vento, afefe de que Iansã é a dona, pode ser bom ou mau, através dele se enviam as coisas boas e ruins, sobretudo o vento ruim, que provoca a doença que o povo chama de ar do vento.
Ofurufu, o firmamento, o ar também desempenha o seu papel importante, sobretudo á noite, quando todo seu espaço pertence a Eleiye, que são as Ajés, transformadas em pássaros do mal, como Agbibgó, Elùlú, Atioro, Oxorongá, dentre outros, nos quais se transforma a Ajé-mãe, mais conhecida por Ìyàmì Osoronga.






TÍTULOS DE ÌYÀMÌ
Agba: Poderosa Mãe ancestral associada ao poder feminino.

Ajé : Poderosa Mãe administradora do Poder Sobrenatural. Este devido ao culto que é realizado na lua nova e utiliza de poderes sobrenaturais para combater à agressividade, feitiço. Por ser o ciclo mais escuro da lua.
Iyá Mi Ajé = minha mãe feiticeira também conhecida por  Ìyàmìs  Oxorongá , é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação.
Iyami Ajé na forma de pássaro, Coruja Rasga-Mortalha ou coruja rasgadeira, pousa nas árvores favoritas durante a noite, principalmente na jaqueira. Contam os antigos africanos que quando a coruja rasgadeira sobrevoa fazendo seu ruído característico ou aproxima-se de uma casa é porque alguém vai morrer. (Mito que se espalhou por outros cultos e religiões, afinal quem nunca ouviu falar isso)

Ako: Poderosa Mãe que é o pássaro Ako. Título referente ao 3o dia da lua cheia e a seu culto exatamente na sociedade das Geledes. Título de quem assume o posto de primeira dama desta sociedade.

Alaiye: Poderosa Mãe proprietária de toda extensão Terrestre.

Apaki: Poderosa Mãe que mata. Uma referência ao fato que ao decorrer da vida acontece a morte.
  
Araiye: Poderosa Mãe que controla todos os espíritos da Terra, encarnados e desencarnados.

Arajado: Poderosa Mãe que olha para o Céu. Uma referencia ao fato da Terra esta coberta pelo Céu.

Asiwòró: Poderosa Mãe canalizadora das energias nos ritos tradicionais.

Ayala: Poderosa Mãe esposa daquele que é o Céu. Uma referencia ao fato da Terra ser coberta pelo Céu o próprio Orixalá.

Buruku: Poderosa Mãe Antiga. Uma referência ao planeta na sua antiguidade existencial.

Egeleju: Poderosa Mãe dos olhos delicados.

Ekunlaiye: Poderosa Mãe que inunda a Terra com Água.

Eleje: Poderosa Mãe proprietária do fluxo da vida o sangue.

Elesenu: Poderosa Mãe Proprietária de todos os órgãos internos, vísceras.

Eleye: Poderosa Mãe Proprietária dos Pássaros.

Ilunjó: Poderosa Mãe que dança o ritmo da morte. Uma referência ao ritmo tocado para Ogun aquele que dança o ritmo da morte.

Iya-Ori: Poderosa Mãe das Cabeças, uma alusão ao fato de está relacionada aos rituais de sacrifício animal sobre uma cabeça. Titulo que é também cultuada nos ritos de bori.

Iyelala: Poderosa Mãe senhora dos sonhos, relacionada a revelação de situações através de sonhos.

Iyemonja: Poderosa Mãe senhora que possui muitos filhos como cardumes de Peixes, uma alusão à sua qualidade anfíbia e à quantidade de seres humanos existentes na terra comparada à quantidade de peixes existentes no Mar. Titulo relacionado a Egun.

Iyemowo: Poderosa Mãe que é o próprio dinheiro de suas filhas, uma alusão a grande quantidade de búzios que utiliza em suas roupas este titulo é cultuada no culto de Orixalá.

Kekere: Poderosa Mãe pequena do universo. Uma referência ao fato de Iyami ser a administradora da vida na auxiliando Olodunmare.

Koko: Poderosa Mãe Anciã, uma referência à antiguidade do planeta.

Logboje: Cabaça Existencial no Universo, uma referencia ao planeta Terra.

Malè: Poderosa mãe que não permite o mal chegar na noite, uma alusão as noites que sobrevoa na sua forma de pássaro nos lugares em que é invocada e reverenciada com louvores e saudações. Título este muito reverenciada nas rodas de Xangô, Egungun, quando e enquanto dançam em volta da fogueira ao Ar livre, fato memorável ao poder sobrenatural que possibilita Xangô como o grande Egungun ancestral voltar à Terra possuindo seus Eleguns durante as festividades.

Naré: Poderosa como o próprio ventre.

N'la: Poderosa grande Mãe, uma referência à grandeza do planeta Terra e seu culto elementar.

Oduwà: Poderosa Mãe proprietária do recipiente da existência, o mundo.

Oga Igi: Poderosa Mãe que faz o alto das árvores de trono. Uma referência ao fato dos Pássaros pousarem no cume das grandes árvores.

Oloriyàmi: Poderosa Mãe proprietária das águas, referência aos mares e a água do útero.

Olotojú: Poderosa Mãe que espia do alto ao fato dos pássaros pairarem no ar e observarem tudo de cima.

Omolulu: Poderosa Mãe rainha das formigas, ao fato de estar associada ao subsolo, título este em que é também cultuada no culto de Obaluaiê.

Onilé: Poderosa Mãe proprietária da Terra, referente a reverencia e aos rituais realizados dentro da terra. Outra referencia é ao fato de ser o lugar mais próprio de se cultuar toda classe de espíritos, na qual Ela é a grande apaziguadora desses espíritos ou forças rebeldes. Numa única função de tranquilizar, apaziguar ou neutralizar qualquer tipo de força oculta agressiva.

Oru-Alé: Poderosa Mãe da madrugada e da noite.

Osupa: Poderosa Mãe que controla as forças da lua.

Oxorongá: está sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. Tudo é pretexto para que Ìyàmì se sinta ofendida.
Tudo que é redondo remete ao ventre e, por consequência, as Ìyàmìs.
O poder das grandes mães é expresso entre os Orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de  Ìyàmìs  é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.

Petekun: Poderosa Mãe que é povoada, uma referência a relação com Bará.

Curiosidades

ANIMAL : Abelha.

AVE : Coruja.

COME: Aves pequenas, víscera de animais, ovos.

QUATRO PÉ : Coelho.

INTERDITO : Pimenta da costa. (ATARI)

veja também: Ser Bruxa é.. 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Oríkì fún Lògún Ede


Antes de mais nada gostaria de explicar que ORIKI são historias, poemas, versos que exaltam os feitos e qualidades das divindades africanas é uma louvação.


Oríkì fún Lògún Ede

Ganagana bi ninu elomi ninu
A se okùn soro èsinsin
Tima li ehin yeye re
Okansoso gudugu
Oda di ohùn
O ko ele pé li aiya
Ala aiya rere fi owó kan
Ajoji de órun idi agban
Ajongolo Okunrin
Apari o kilo òkò tímotímo
O ri gbá té sùn li egan
O tó bi won ti ji re re
A ri gbamu ojiji
Okansoso Orunmila a wa kan mà dahun
O je oruko bi Soponna
Soro pe on Soponna e nià hun
Odulugbese gun ogi órun
Odolugbese arin here here
Olori buruku o fi ori já igi odiolodi
O fi igbegbe lù igi Ijebu
O fi igbegbe lú gbegbe meje
Orogun olu gbegbe o fun oya li o
Odelesirin ni ki o wá on sila kerepa
Agbopa sùn kakaka
Oda bi odundun
Jojo bi agbo
Elewa ejela
O gbewo li ogun o da ara nu bi ole
O gbewo li ogun o kan omo aje niku
A li bilibi ilebe
O ti igi soro soro o fibu oju adiju
Koro bi eni ló o gba ehin oko mà se ole
O já ile onile bó ti re lehin
A li oju tiri tiri
O rí saka aje o dì lebe
O je owú baludi
O kó koriko lehin
O kó araman lehin
O se hupa hupa li ode olode lo
Òjo pá gbodogi ró woro woro
O pà oruru si ile odikeji
O kó ara si ile ibi ati nyimusi
Ole yo li ero
O dara de eyin oju
Okunrin sembeluju
Ogbe gururu si obè olori
A mò ona oko ko n ló
A mo ona runsun rdenreden
O duro ti olobi kò rà je
Rere gbe adie ti on ti iye
O bá enia jà o rerin sún
O se adibo o rin ngoro yo
Ogola okun kò ka olugege li òrùn
Olugege jeun si okurú ofun
O já gebe si orún eni li oni
O dahun agan li ohun kankan
O kun nukuwa ninu rere
Ale rese owuro rese / Ere meji be rese
Koro bi eni lo
Arieri ewo ala
Ala opa fari
Oko Ahotomi
Oko Fegbejoloro
Oko Onikunoro
Oko Adapatila
Soso li owuro o ji gini mu òrún
Rederede fe o ja kùnle ki agbo
Oko Ameri èru jeje oko Ameri
Ekùn o bi awo fini
Ogbon iyanu li ara eni iya ti n je
O wi be se be
Sakoto abi ara fini




Oríkì para Lògún Ede


Um orgulhoso fica infeliz que um outro esteja contente
É difícil fazer um corda com as folhas espinhosas da urtiga
Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe
Ele é sozinho, ele é muito bonito
Até a voz dele é agradável
Não se coloca as mãos sobre o seu peito
Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas
O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro
Homem esbelto
O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente
Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta
Acordá-lo bem é o suficiente
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde
Ele tem um nome como Soponna /
É difícil alguém mau chamar-se Soponna
Devedor que faz pouco caso
Devedor que anda rebolando displiscentemente
Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça
Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu
Ele quebrou sete papos com o seu papo
A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo)
Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada
Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente
Ele é fresco como a folha de odundun
Altivo como o carneiro
Pessoa amável anteontem
Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso
Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos
Ele veste boas roupas
Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro
Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão
Ele destroi a casa de um outro e com o material cobre a sua
Ele tem olhos muito aguçados
Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa
Ele é ciumento e anda "rebolando" displicentemente
Ele recolhe as ervas atrás
Ele recolhe as ervas atrás
Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro
A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído
Ele mata o malfeitor na casa de um outro
Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz
O preguiçoso está satisfeito entre os passantes
Ele é belo até nos olhos
Homem muito belo
Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe
Ele conhece o caminho do campo e não vai lá
Ele conhece o caminho runsun redenreden
Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer
O gavião pega o frango com as penas
Ele briga com qualquer um e ri estranhamente
Ele tem o hábito de andar como a um bêbado que bebeu
Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo
O papudo come no inchaço de sua garganta
Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui
Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis
Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça
A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada /
Duas vezes assim coisa sagrada
Rápido como alguém que parte
A proibição do pássaro branco é o pano branco
Ele mexe os braços fantasiosamente
Marido de Ahotomi
Marido de Fegbejoloro
Marido de Onikunoro
Marido de Adapatila
Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço
Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro
Marido de Ameri que dá mêdo
Leopardo de pele bonita
Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade
Assim ele diz e assim ele faz
Orgulhoso que possui um corpo muito belo.

Nanã

Foi a primeira Iyabá e a mais vaidosa, em nome da qual desprezou seu filho primogênito com OxaláOmolu, por este ter nascido com várias doenças de pele. Não admitindo cuidar de uma criança assim, acabou abandonando-o numa praiaIemanjá o achou abandonado, quase morrendo e o curou e o criou como se fosse sua mãe, dando-lhe todo o amor e carinho. Sabendo do que Nanã fez, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam anormais (OxumarêEwá e Ossaim), e a expulsou do reino, ordenando-lhe que fosse viver num pântano escuro e sombrio.

Nanã é dona de um cajado, o ibiri. Suas roupas parecem banhadas em sangue. É a orixá das águas paradas. Ela mata de repente, mata uma cabra sem usar faca. É considerada o orixá mais antigo do mundo. Quando Orunmilá chegou aqui para frutificar a terra, ela aqui já estava. Nanã desconhece o ferro por se tratar de um orixá da pré-história, anterior à idade do ferro. O termo "nanan" significa "raiz", aquela que se encontra no centro da terra.
Nanã tornou-se uma das Iyabás mais temidas, tanto que, em algumas tribos, quando seu nome era pronunciado, todos se jogavam ao chão. Senhora das doenças cancerígenas, está sempre ao lado do seu filho Omolu. É protetora dos idosos, desabrigados, doentes e deficientes visuais. É um vodun, segundo alguns pesquisadores, originário de Dassa-Zoumé. É uma velha divindade das águasPierre Verger encontrou um templo Dassa-Zoumé e o sacerdote do seu culto.

A área que abrange seu culto é muito vasta e parece estender-se de leste, além do rio Níger, até a região Tapá, a oeste, além do rio Volta, nas regiões dos "guang", ao nordeste dos Ashanti.
Entre os fon e mahi, ela é considerada uma divindade hermafrodita, anterior a Mawu e Lissá, aos quais teria dado origem em associação com a "serpente do Universo" Dan Aido Hwedo. Para os ewes e minas, ela é, às vezes, vista como um vodun masculino (Nana Densu), esposo da grande mãe das águas Mami Wata.

Nanã Buruku é cultuada no candomblé jeje como um vodun e, no candomblé queto, como um orixá da chuva, das águas paradas, manguepântano, terra molhada, lama e considerada a mãe dos orixás ObaluaiyêIrokoOsanyinOxumarê eYewá.

Nanã é chamada carinhosamente de "Avó", por ser usualmente imaginada como uma anciã. É cultuada em todo o Brasil nas religiões afro-brasileiras. Seu emblema é o ibiri, que caracteriza sua relação com os espíritos ancestrais. Como "Mãe-Terra Primordial" dos grãos e dos mortos, Nanã Buruku poderia ser equiparada à deusa greco-romanaDeméter-Ceres-Cíbele.
A existência do culto de Nanã Buruku é atribuída a tempos remotos, anteriores à descoberta do ferro,: por isso, em seus rituais, não costumam ser utilizados objetos cortantes de metal.
baobá (Adansonia digitata L., em iorubá ossê e, em Fonakpassatin) é sua árvore sagrada.

Características dos filhos de Nana Burukú
Os filhos de Nana são pessoas extremamente calmas, tão lentas no cumprimento das suas tarefas que chegam a irritar. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. As pessoas de Nana parecem ter a eternidade à sua frente para acabar os seus afazeres; gostam de crianças e educam-nas com excesso de doçura e mansidão, assim como as avós. São pessoas que no modo de agir e até fisicamente aparentam mais idade.
Podem apresentar precocemente problemas de idade, como tendência a viver no passado, de recordações, apresentar infecções reumáticas e problemas nas articulações em geral.
As pessoas de Nana podem ser teimosas e “ranzinzas”, daquelas que guardam por longo tempo um rancor ou adiam uma decisão. Porém agem com segurança e majestade. As suas reacções bem equilibradas e a pertinência das suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
Embora se atribua a Nana um carácter implacável, os seus filhos têm grande capacidade de perdoar, principalmente as pessoas que amam. São pessoas bondosas, decididas, simpáticas, mas principalmente respeitáveis, um comportamento digno da Grande Deusa do Daomé

Itans de Nanã

Afirma-se que Nanã era a rainha de um povo e que tinha poder sobre os mortos. Para roubar esse poder, Oxalá desposou-a, mas não ligava para ela. Nanã, então, fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho, Omolu nasceu todo deformado. Horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. Assim, nasceuOxumaré, que, durante seis meses do ano, vive no céu como o arco-íris, e nos outros seis é uma cobra que se arrasta no chão.
Em outra lenda, conta-se que, na aldeia chefiada por Nanã, quando alguém cometia um crime, era amarrado a uma árvore. Nanã, então, chamava os Eguns para assustá-lo. Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fez com que ela se apaixonasse por ele. Nanã dividiu o reino com ele, mas proibiu a sua entrada no Jardim dos Eguns. Oxalá então espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Eguns que obedecessem "ao homem que vivia com ela" (ele mesmo). Quando Nanã descobriu o golpe, quis reagir mas, como estava apaixonada, acabou aceitando deixar o poder com o marido. Hoje, no Culto aos Egungun, só os homens são iniciados para invocar os Eguns.
Uma terceira lenda refere que, certa vez, os orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria apontava Ogum, considerando que ele é o orixá do ferro, o que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não era tão importante assim, torceu com as próprias mãos o pescoço dos animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.


Quanto a maior duvida se nanã pode ou não ter filhos homen

Com relação à questão sobre Nanã não virar em cabeça de homem, isso é puro preconceito, se assim podemos chamar, já que o que existe em geral é muito desconhecimento e temor a esse orixá tão lindo que é nossa mãe. Mas ela tem filhos homens sim, e vira neles também, conheço até diversos casos. A questão é que por desconhecimento, muitas vezes se evita fazer homens filhos de Nanã e se atribuem outros orixás, o que é errado, então as hipóteses de nanã virar nesses filhos fica difícil, como ficaria para qualquer outro orixá a quem trocassem a cabeça de seu filho.

Fonte: Wikpedia, Reginaldo Prandi e Pierre Verge.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O natal e o candomblé.



No dia 25 de dezembro é comemorado o Natal, mas originalmente a data foi retirada de uma festa pagã muito popular existente na Roma antiga, e que foi oficializada pelo imperador Aureliano em 274 d. C. 
A festa tinha a finalidade de homenagear o deus sol Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invicto) que é considerado a primeira divindade do império romano e para festejar o início do solstício de inverno. 

A Igreja católica tomou conta do mundo ocidental, não somente pelo poder da palavra, competindo com outras correntes religiosas, mas, principalmente pelo poder da espada e da opressão. Isso não tira o brilho de sua mensagem ou de sua importância para formar pessoas melhores, mas, apenas foi um caminho sujo que baniu religiões e obrigou as pessoas à adotarem. Sempre existiram muitas religiões, várias delas com mensagens igualmente boas. Mas o catolicismo corrompeu o processo natural da história e competiu deslealmente. 
Mas algumas tradições eram muitos fortes no povo e não adiantava a imposição para acabar com isso. Nesses casos a Igreja usava a estratégia do sincretismo. Assim nas datas especiais de outras religiões eram criadas datas e comemorações católicas que se realizavam concomitantemente com os festejos concorrentes, com o tempo (dezenas e centenas de anos) e com a imposição em paralelo do catolicismo, as pessoas acabavam esquecendo da razão original e se fixavam somente na comemoração católica.

Foi assim com o hallowenn, o dias de ação de graças, o natal, etc...

Dito isso, na minha visão não existe problemas que os candomblecistas incorporem o NATAL como uma festa de integração familiar e de fraternidade. Afinal existe muito mais no Natal de fraternidade do que de catolicismo


Para o Candomblé, a família é o núcleo mais importante. Tudo o que valoriza a família e exalta as relações familiares e fortalece os seus lações esta completamente alinhado com o Candomblé. 

Religião é uma coisa para se cultivar em família, com toda a família. O templo religioso, o espaço religioso e suas cerimônias é uma lugar para ser frequentado pela família toda, todos juntos. 


O Natal então é uma excelente oportunidade para as pessoas de uma religião que valoriza a família e a descendência comemore e exalte isso. O Candomblecista deve se integrar ao Natal como a sua celebração da família e da fraternidade.

O Candomblecista pode dessa maneira se integrar completamente ao período natalino, como uma oportunidade também sua, não deixando os seus seguidores perdidos entre a omissão e a adoção de ritos de outra religião. Deve se posicionar e ter apenas o cuidado de não se integrar aos católicos com a comemoração religiosa deles, que é apenas uma parte do Natal. Nada de Nascimento de Jesus, reis magos, etc..



Festas, presentes, amigos ocultos, jantares familiares são bem vindos, comemore seus amigos, Afinal Candomblé é família, amigos, respeito ao próximo, caridade e fraternidade.   

Essa é a minha visão sobre o Natal.
E a sua ? comente, deixe sua opinião.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

ÀBÍKÚ

Nascidos para morrer?



Muitas pessoas tem duvidas quando o assunto é Àbíkú, é frequente ouvir falar, esta ou aquela pessoa é àbíkú.

Mas o que exatamente é àbíkú? Quais os mistérios que trazem este nome?
Pois bem, tentarei explicar abaixo uma grande parte dos ''mistérios'' de Àbíkú.

ÀBÍKÚ - A tradução é incerta mas teríamos algo como, Nascidos para morrer do Iorubá (a bi lati kú), ou uma morte rápida do Yoruba (a abì ikú), esta segunda, na minha opinião a forma mais correta, sendo Abíkú a forma juntada de ''a abì ikú''.

Dito isso podemos dizer que pessoas Abíkú são pessoas nascidas para morrer?
Claro que não. E aqui você deve estar se perguntando por que? Eu explico:

Seres humanos nascem com uma unica certeza nesta vida, a certeza de que um dia morreremos.
Daqui pra frente basta usarmos o raciocínio logico, se todos temos essa certeza então todos nascemos para um dia morrer, e se é assim poderíamos então afirmar que todos somos ABÍKÚ.
Por esse motivo não concordo que Abíkú são os nascidos para morrer, mas sim os que tem como destino uma morte rápida, precoce, os que morrem ainda muito jovem.

Com este conceito formado vamos seguir;

 os Abiku, se constituem numa sociedade de espíritos, onde a regra é vir à Terra (encarnar) mas viver apenas por um curto período. Sabe-se que antes de encarnar o espírito se compromete com a comunidade dos Abiku, à qual pertence, de voltar o mais rápido possível, estabelecendo inclusive, data e hora.  Geralmente esse tempo é determinado entre o nascimento e os 7 anos de vida.

Seguindo ainda a linha do raciocínio logico podemos afirmar com base nas informações acima que:

Tendo uma pessoa a idade superior a sete (07) ou talvez oito (08) anos, esta não pode ser considerada um Abìkú. A menos que a pessoa em questão tenha passado ainda muito jovem pelo processo ritualístico que Ifá nos traz para reverter o processo de Abíkú.

''Nossas histórias de Ifá nos dizem que oferendas feitas com conhecimento de causa são capazes de reter no mundo esses abíkús, e de lhe fazer esquecer sua promessa de voltar, rompendo assim o ciclo de suas idas e vindas constantes entre o céu e a terra, porque, uma vez que o tempo passado para a volta já tenha passado, seus companheiros se arriscam e perdem o poder sobre eles.''

Citação de Pierre Verger.

ABÍKÚ então é uma criança que teve ou terá uma passagem muito rápida pelo nosso mundo.
Pessoas, adulto, não podem ser consideradas Abúkú, pois não tiveram a passagem rápida, ou se passaram pelo processo ritualístico ainda muito novas e sobreviveram deixaram de ser Abíkú.



Mas então porque inúmeras pessoas são tidas como ABÍKÚ?

Por falta de conhecimento de muitos a coisa fica complicada ao se confundir abíkú com Abiasé que é aquele que nasceu numa Casa de Orixá, ou que sua mãe foi iniciada enquanto estava grávida e a criança recebeu o axé através da mãe e portanto já nasce “feita”, ou ainda crianças que nascem com a determinação de ocupar um cargo sacerdotal, esses tem uma necessidade urgente de serem iniciados e serem instruídos para serem zeladores, não são exatamente abiaxé ou abikú, mas são naturalmente “feitos”, são raríssimos casos.
Os Abiaxé,que são as crianças nascidas "feitas de berço" e com missão espiritual.

Mas ABIASÉ ou ABIAXÉ sera um assunto para outra postagem.

Gostou? Concorda? Discorda? deixe seu comentário, deixe sua opinião. O Debate nos traz conhecimento.

Axé a todos.